O Rei de Ramos

(Canção de Chico Buarque e Francis Hime)

Ele disse pra Escola caprichar
No desfile da noite de domingo
Com gingo, com fé
Pediu muita cadeira a requebrar
Muita boca com dente pra caramba
Pra samba, no pé
De repente o pandeiro atravessou
De repente a cuíca emudeceu
De repente o passista tropeçou
E a cabrocha gritou que o nosso rei, morreu

Viva o Rei de Ramos
Que nós veneramos
Que nós não cansamos de cantar

Viva o rei dos pobres
Que gastava os cobres
Nas causas mais nobres do lugar

Viva o rei dos pontos
Que bancava os pontos
Que jogava os pontos do milhar

Viva o Rei de Ramos
Viva o rei
Viva o rei
Viva o Rei de Ramos

Os seus desafetos e rivais
Misericordioso, não matava
Mandava matar
E financiava os funerais

As pobres viúvas consolava
Chegava chorar
De repente gelou o carnaval
De repente o subúrbio estremeceu
E a manchete sangrenta do jornal
Estampou em garrafal
Que o nosso rei, morreu

Viva o Rei de Ramos
Que nós veneramos
Que nós não cansamos de cantar

Viva o rei dos crentes e dos penitentes
E dos delinqüentes do lugar
Viva o rei da morte
Da lei do mais forte
do jogo da sorte, do azar

Viva o rei de Ramos
Viva o rei
Viva o rei
Viva o Rei de Ramos