Biografia

Veja também o release de Angela, escrito por Daniel D'Angelo. Link no final da página.

Abelim Maria da Cunha, nome verdadeiro de Angela Maria, que nasceu no dia 13 de maio de 1928, em Conceição de Macabu, distrito de Macaé-RJ.

"Na Igreja Batista do Bairro do Estácio, no Rio de Janeiro, em 1950, Abelim Maria da Cunha era a primeira voz no coro. O Reverendo Albertino Coutinho da Cunha, Pastor da Igreja, gostava da voz de sua filha. Todos os seus filhos cantavam durante os cultos religiosos. Mas a voz de Abelim era a mais ouvida. Depois, quase um escândalo na família. Abelim cantando "músicas profanas" em programas de calouros. Ela estava cansada de trabalhar em uma fábrica, inspecionando lâmpadas. Estava cansada do salário baixo - 600 cruzeiros velhos por mês, e ainda de ir para a escola, à noite, lá mesmo no Estácio. Ela queria ser cantora de rádio, fazer sucesso, queria ser Dalva de Oliveira. Ganhava todos os programas de calouros. Mas ninguém queria contratá-la. Era a cópia de Dalva de Oliveira. E isso ela também já não agüentava, estava cansada de ouvir: "Você só ganha prêmios em programas de calouros porque imita Dalva de Oliveira e o público gosta dela. Sinto muito, prefiro o original". Um dia, como nas novelas, Abelim começou a ser Angela, cantora profissional. Foi ser crooner no Dancing Avenida, largou escola, Fábrica, Igreja, deixou tudo para ganhar a "Fortuna" de três mil cruzeiros velhos por mês. E três meses depois Angela Maria esqueceu a letra, saiu do ritmo e, quase chorando, cantou Fuga, um Samba-canção de Renato de Oliveira, no seu primeiro programa como artista exclusiva da Rádio Mayrink Veiga. Teve o prazo de uma semana para criar um repertório próprio e deixar de imitar Dalva de Oliveira. Pensou que ia perder o emprego e todo o dinheiro que ia ganhar: quatro mil cruzeiros velhos por mês. Daí em diante, o sucesso. Músicas que marcavam época. O apelido de Sapoti, dado pelo Presidente Getúlio Vargas. Charuto na boca, sentado no jardim de uma mansão de um milionário carioca, Getúlio olhou para Angela e disse: "Menina, você tem a voz doce e a cor do sapoti". Os tempos passaram. Angela foi ficando esquecida embora tenha sempre mantido o seu público. Mesmo não estando nas paradas de sucesso, sempre foi uma das cantoras que mais venderam e vendem disco no Brasil. Um dia, passei na Rua Major Sertório, em São Paulo. Ouvi uma voz cantando Babalú. Era Angela Maria. Essa música ela é obrigada a cantar porque para alguns é um teste. Querem ver se a voz de Angela mudou. Entrei na boate. Perguntei para Angela por que estava cantando ali. E ela: - Por que? Não canto pra bacana. Bacana não compra disco. No Brasil quem compra disco é o povo. Talvez este seja o segredo de sua popularidade. Uma pesquisa mostrou que Angela é a cantora mais popular do Brasil. E Angela está aí, com todo o poder de sua voz. Agora os bacanas é que procuram para ouvi-la. Apesar de ser chamada de cafona. Mas Angela não liga para isso. Ela sabe que tem voz. E não é mais a da Dalva ou de qualquer outra cantora. É de Angela Maria. E essa voz influenciou muita gente. Uma das vozes mais bonitas do Brasil". 

Arthur Laranjeira. Cronista da Folha de São Paulo - Rádio, TV e Discos - Julho de 1971.

Release de Angela Maria

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