Jubileu

Angela Maria regrava sucessos em novo CD

Por Marcus Preto

"Estou recomeçando. Faz de conta que estou com meu primeiro maestro, gravando meu primeiro disco". Angela Maria, 75 anos, parece feliz com a comemoração do meio século de sua carreira, fonograficamente marcada com o lançamento de Disco de Ouro pela pequena Lua Disco, gravadora do compositor Thomas Roth.

Longe das multinacionais, a Sapoti diz ter finalmente podido fazer um disco ao seu gosto. "Eu não regravei sucessos meus, mas músicas que ficaram famosas nas vozes de colegas. Sempre quis fazer isso, mas as gravadoras nunca me deixaram. Só agora a Lua Discos permitiu que eu fizesse exatamente o que queria. Gravei só o que gosto de cantar", comemora.

E o que Angela gosta de cantar é basicamente o mesmo repertório que vem sendo apresentado em sua temporada de shows no tradicional Bar Brahma, na esquina da Avenida Ipiranga com a São João. Foram pinçadas 14 das músicas ali apresentadas, coisas que ela ainda não havia gravado. Arranjos e produção musical ficaram a cargo do tecladista Keco Brandão, que optou por uma sonoridade bem mais contida e refinada que aquela ouvida nos discos habituais de Angela.

Cantora muito popular desde sempre, ela gravou em Disco de Ouro somente sucessos: "Sozinho", de Peninha; "Oceano", de Djavan; "Olha", de Roberto e Erasmo Carlos; "Como uma Onda", de Lulu Santos; "Faz Parte do Meu Show", de Cazuza; "As Rosas Não Falam", de Cartola; "O que É, o que É", de Gonzaguinha; "Resposta", de Maysa... "Ficou muita coisa de fora, vou fazer um segundo volume no ano que vem, sem falta", antecipa.

Gravar, por exemplo, um sucesso de Lulu Santos ou de Cazuza seria sinal de uma vontade de aproximação a um público mais jovem que o seu? "Não pensei em me aproximar da juventude, pensei na música que é boa, pensei em mim, pensei que gosto de cantá-la", garante.

Por outro lado, ela diz já estar planejando levar adiante um projeto só de canções inéditas, provavelmente para ser lançado em 2005: "Quero os autores que já conheço, certamente. Mas vou dar também uma chance para essa meninada que está começando por aí", comenta.

Se Disco de Ouro representa, de alguma forma, um marco numérico na carreira de Angela, ela própria não se assusta quando faz outras contas: "Tenho 114 discos gravados, com esse de agora. Acho que sou recorde mundial". E relembra o começo de tudo: "Eu trabalhava na GE, era inspetora de lâmpadas. Ficava ali, vendo se elas tinham defeito, se podiam ir para a loja. Mas fazia isso cantando, o tempo todo cantando. Como todo mundo parava para me ouvir cantar, a produção da fábrica começou a cair. Um dia, um diretor veio às escondidas por trás de mim e pegou a cena. Fui demitida em seguida. Ainda bem, saí dali e fui participar de um concurso no rádio. Isso há 50 anos, muitas músicas de sucesso vieram depois..."

Muitas. Mas seu maior sucesso, "Babalú" é pedido até hoje em todos os shows que ela faz. Isso deve ser um incômodo, não? "Não me incomoda, não. Só me dá uma raiva danada! Canto isso desde 1955, já pensou?", conta ela, rindo.

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