Angela Maria deixa Babalu e lança Disco de Ouro

da Redação do Terra.

Esqueça a Angela Maria de Babalu. A cantora não suporta mais a canção - apenas uma das que imortalizou em inacreditáveis 114 discos gravados. "Babalu é um cansado", diverte-se ela durante entrevista exclusiva ao Terra. 
"Já fiz de tudo com ela. Mudei o arranjo, o andamento. Só assim para atender quem pede", conta. Angela está mesmo interessada no presente. Mais precisamente, no lançamento do novíssimo álbum, Disco de Ouro(Lua Discos). 
O disco quebra um jejum de quatro anos sem gravar e celebra - com dois anos de atraso - o Jubileu de Ouro da cantora apelidada de "Sapoti" pelo presidente Getúlio Vargas. 
Ela conta que o lapso de tempo entre o anterior Sempre Sucesso (99), em dueto com Agnaldo Timóteo, e Disco de Ouro é resultado de propostas mal-elaboradas de determinadas gravadoras e produtores. "Houve propostas que não me agradaram em nada. E nem foram tantas na verdade. Sabe regravação de coisa antiga do meu próprio repertório e imposição de equipe de produção? Acho que nessa essa altura da vida eu já posso me dar ao luxo de fazer o que quiser". 
Com isso, ela garante que o grande diferencial de Disco de Ouro é o grau de envolvimento que teve com o registro. "Finalmente pude opinar de maneira mais objetiva na produção de um disco. Participei de tudo, desde a seleção das músicas até as fotos do encarte", comemora. 
Para a feitura do 114º álbum, Angela contou com o auxílio do amigo, jornalista e pesquisador musical Thiago Marques e do arranjador Keco Brandão, que é só elogios à cantora. "Ela é a mais doce e humilde artista com a qual já trabalhei. Vê-la no estúdio, com aquela voz tão envolvente e natural foi um privilégio", diz Brandão, com trabalhos com Zizi Possi, Ivan Lins e Jane Duboc no currículo. 
Na faixas de Disco de Ouro pode-se encontrar um leque variado das predileções de Angela. O álbum começa com Sozinho, de Peninha, sucesso recente na voz de Caetano Veloso. Segue com Olha, de Roberto e Erasmo Carlos; Dores de Amores, de Luiz Melodia; Por Causa de Você , de Tom Jobim e Dolores Duran e Não me Perguntes Mais, de Vicente Garrido, aqui em versão de Thiago Marques. 
A cantora presta ainda tributos a Johnny Alf, Eu e a Brisa; Maysa, Resposta; Lulu Santos e Nelson Motta , Como uma Onda; Djavan, Oceano; Cartola, As Rosas não Falam; Vadico, Prece; Gonzaguinha; O Que é, o Que é; Cazuza, Faz Parte do Meu Show e Eduardo Gudin e Costa Neto, Paulista. "São compositores que eu admiro profundamente." 
Influência confessa de Elis Regina, Milton Nascimento e Chico Buarque, Angela lembra com carinho de uma de suas alunas mais aplicadas. "Eu tinha um programa na Rádio Farroupilha de Porto Alegre e a Elis era levada pela mãe nas gravações. Ela ficava sentadinha no palco, me olhando cantar e no final ia ao camarim e ficava me beijando. Tinha oito, nove anos. Depois ela cresceu, gravou os boleros no início da carreira. Estávamos sempre juntas. Ela tornou-se uma companheira querida que ia lá em casa nas feijoadas, tomar banho de piscina com os filhos". E o que Angela pensa de Maria Rita? "Ela é talentosa e tem um grande futuro", diz a mestra, elegendo também as cantoras Vanessa da Mata e Luka. "Estou sempre ligada nas novidades." 
E por falar em novidades, um DVD da cantora está sendo produzido. A gravadora não adianta muita coisa, mas algo de novo por aí. De concreto mesmo, além de Disco de Ouro e shows pelo Brasil, Angela fica em cartaz todas as terças-feiras de outubro e novembro no tradicional Bar Brahma, no centro de São Paulo. Na temporada, canta as músicas que mais lhe agradam. E, se os saudosistas obrigarem, um ou outro babalu, aquele para lá de cansado.

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